segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Projeto quer limpar oceanos com ‘arraia robô’

Foi depois de mergulhar durante uma viagem à Grécia e ver mais plástico do que peixes embaixo d’água que Boyan Slat, então com 16 anos, decidiu dedicar um semestre de seu ano letivo no colégio para entender como poderia contribuir para retirar a sujeira dos mares. Sua pesquisa e os testes que empreendeu, alguns com a ajuda de professores, resultaram em um projeto chamado de “The Ocean Cleanup”, que ganhou destaque no fim de 2012 e arrecadou US$ 2 milhões em campanha de financiamento coletivo finalizada em setembro.
Aos 19 anos, Slat apresentou sua ideia em palestra promovida pelo TED em Delft, na Holanda, cidade onde mora e estuda. O desenvolvimento do projeto correu a passos largos e, junto com uma equipe de cerca de 100 pessoas, Boyan Slat apresentou em junho deste ano um estudo mais detalhado, revisado por 70 cientistas e engenheiros, com a proposta definitiva para limpar, no período de 10 anos, mais da metade do conhecido Grande Depósito de Lixo do Pacífico. A solução: uma arraia robotizada que flutua nas superfícies.
Ao apresentar a pesquisa detalhada, Slat também lançou uma campanha de financiamento coletivo que coletou, em cerca de três meses, mais de US$ 2 milhões de 38 mil pessoas em 160 países. O dinheiro é suficiente para sua equipe construir e testar protótipos em larga escala na limpeza do Oceano Pacífico.
A máquina desenvolvida para o projeto representa um casamento perfeito entre tecnologia e sustentabilidade, já que a arraia robô se aproveita de recursos naturais para se manter funcionando. “A inspiração para o formato de arraia veio durante um mergulho na Ilha dos Açores e este parece ser o melhor formato, porque as asas balançam como uma arraia real e assegura um contato com a superfície da água, mesmo em condições adversas”, disse Slat durante a apresentação do projeto.
Equipada com placas solares, a embarcação também será capaz de gerar energia a partir do movimento das ondas e das correntes marítimas. O diferencial: utilizar a direção das grandes correntes do oceano em favor da arraia, que deve ser fixada em um ponto estratégico, por onde poderá coletar plástico suficiente para encher contêineres.
De acordo com o The Ocean Cleanup, mais de 7 milhões de toneladas de plástico poderão ser retiradas de camadas mais superficiais do oceano até 2020. “A capacidade de retirada é de 55 contêineres de plástico por dia. Se vendermos este plástico depois, ele renderia mais de US$ 500 milhões. Mas não temos que pensar no dinheiro primeiro. Precisamos pensar na mudança”, disse o jovem empreendedor.
Mas a ideia de Slat não é a única a unir tecnologia e sustentabilidade em prol dos oceanos. Em 2011, o grupo Scout Bots desenvolveu o protótipo do Protei, um barquinho à vela guiado sem necessidade de tripulantes e apresentado como um robô coletor de manchas de óleo no oceano. A máquina vai em direção contrária ao espalhamento do óleo e armazena em sua calda o que ela puder retirar para limpar os oceanos.
O grupo viu seu projeto virar realidade e participou, entre 2013 e 2014, de uma expedição a bordo do Unreasonable at Sea, iniciativa que reúne empresas de tecnologia, empreendedores e ambientalistas. A viagem durou 105 dias e passou por 14 países, funcionando como uma espécie de laboratório intensivo para os passageiros a bordo, todos relacionados de alguma maneira com projetos que usam a tecnologia em benefício do meio ambiente. A expedição terminou em abril, quando ancorou em Barcelona, na Espanha.



Fonte: http://delltecnologiasdofuturo.ig.com.br/para-empresa/projeto-quer-limpar-oceanos-com-arraia-robo/

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