sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os impactos da nova revolução energética

O Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) reuniu, em 23 de maio, pesos pesados da economia para discutir os impactos do gás de xisto (também conhecido como shale gas) na matriz de custos dos fabricantes norte-americanos, assim como seus efeitos sobre a competitividade mundial e brasileira. No seminário, promovido em comemoração ao Dia da Indústria, o diretor da Divisão de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da Energy Information Administration (EIA), agência de energia do governo dos Estados Unidos, Michael Schaal, informou que a produção de gás natural em seu país, que deve representar mais de 50% da oferta de energia nos próximos anos, está se dando de forma mais rápida do que o consumo, o que torna, evidentemente, os EUA um forte exportador do produto até 2020.

Já o vice-presidente da empresa de consultoria IHS na América Latina, Robert Fryklund, previu, no mesmo painel que discutiu o abalo mundial da extração de xisto, um forte crescimento da produção de gás na Europa, principalmente na França e no sudoeste do continente. Nos EUA, no início do século, a produção do gás convencional respondia por apenas 1% da demanda.  Em 2012, o shale gas já representava 30% , de acordo com apresentação em seminário sobre o tema, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do superintendente adjunto de Segurança Operacional e Meio Ambiente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Hugo Manoel Marcato Affonso.

No Brasil, ao contrário, o consumo de gás é muito maior que a disponibilidade que o país tem hoje, na avaliação do economista Jean-Paul Prates, diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). Além disso, segundo ele, o custo industrial com o gás produzido no Brasil é muito maior, se comparado com o dos Estados Unidos. "O preço de mercado é reflexo não apenas de uma estrutura de produção já muito desenvolvida, mas também de uma logística de coleta de mercado de gás que o Brasil nunca chegou a desenvolver", explicou ele em entrevista à Agência Brasil. Ou seja, o valor do gás americano, antes mesmo da descoberta do xisto, sempre foi mais baixo em função da correta logística de coleta, de transporte (gasodutos) e do sistema de distribuição, lastreados em regras claras. 


O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, admitiu, recentemente, o impacto que a indústria nacional poderá sofrer com a produção do novo gás, nos Estados Unidos. “Trará mais desa­fios para competição às empresas em todo o mundo”, disse. Desde 2008, a exploração do shale gas nos EUA reduziu o preço do produto em mais de 60%. “É quase inevitável que, com custos de energia tão baixos, os Estados Unidos possam recapturar uma parcela relevante da produção do setor manufatureiro”, na opinião do presidente do BNDES. Coutinho prevê que as consequências dessa nova revolução energética serão sentidas já em 2014.

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