quinta-feira, 19 de abril de 2012

Doação a universidade é rara no Brasil

RIO e SÃO PAULO. A visita da presidente Dilma Rousseff ao Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, abriu o debate sobre o financiamento de universidades brasileiras com recursos de ex-alunos e empresas. Prática comum nos EUA - onde os fundos, chamados de endowments, chegam a reunir mais de US$ 30 bilhões, como é o caso de Harvard -, a doação ainda é rara no Brasil, embora comecem a aparecer iniciativas pingadas. De acordo com o professor de Política Educacional da Faculdade de Educação da USP Romualdo Portela de Oliveira, há na elite dos EUA uma percepção de responsabilidade com a educação, e as doações são muito frequentes:

Burocracia e falta de estrutura dificultam

O fato de os recursos não serem bem utilizados é um receio de ex-alunos e empresas. Outra dificuldade é a burocracia e a falta de estrutura para as doações.

Pouco a pouco, no entanto, algumas iniciativas começam a aparecer. A Escola Politécnica da USP tem hoje dois fundos para receber recursos de ex-alunos e empresas. O primeiro deles foi organizado pela diretoria e estruturado pela Endowments do Brasil, e já arrecadou quase R$ 400 mil. O outro é o Fundo Patrimonial Amigos da Poli, criado por ex-alunos, com meta de levantar R$ 10 milhões até o fim do ano.
- Queremos retribuir para a Poli tudo que recebemos e contribuir para seu crescimento. Já conseguimos R$ 5 milhões - diz Diego Martins, diretor do Fundo Patrimonial Amigos da Poli, acrescentando que universidades como Yale e Harvard têm mais de um fundo.

Além do fundo da Poli, a Endowments do Brasil também é responsável pelo projeto do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP. E negocia hoje com uma universidade do Rio e com a Faculdade de Direito da FGV de São Paulo.
Em outras universidades, ainda que não haja fundos organizados, iniciativas começam a ganhar fôlego. A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA/USP) lançou uma campanha para equipar sua biblioteca, depois de grande ampliação da unidade. Quase R$ 300 mil da meta de R$ 1 milhão já foram arrecadados de pessoas físicas. Outros R$ 700 mil, de um total de R$ 7 milhões, vieram de empresas, pela Lei Rouanet.

- Conseguimos R$ 8,5 milhões com o governo para obras físicas. Mas decidimos fazer essa campanha para equipar a nova biblioteca e movimentar a cultura de doação - diz o diretor da FEA/USP, Reinaldo Guerreiro.

O Instituto Coppead, da UFRJ, por sua vez, tem seis cátedras patrocinadas por empresas - Ipiranga, L´Oréal, Amil, Fiat, Visagio e Organizações Globo.

- As empresas financiam essas cátedras permitindo mais investimento em pesquisa, sem contrapartida - diz Kleber Figueiredo, diretor do Coppead.
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http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=801153

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