terça-feira, 27 de março de 2012

Mais por menos: É assim que a Hyundai planeja desbancar Fiat e Volks no Brasil

Seong Bae-Kim, presidente da subsidiária brasileira, antecipa que empresa estuda, inclusive, abrir seu próximo centro de pesquisas no país

Mais que uma promessa de bons resultados comerciais para a Hyundai, o Brasil é a prova de fogo para a montadora coreana na América Latina. À primeira vista, as projeções para os próximos anos mostram uma estrada de ouro pavimentando a trilha do setor automotivo brasileiro. Mas, para correr solto, os coreanos terão de enfrentar obstáculos, como montadoras bem estabelecidas – Fiat, Volks, GM e Ford são as principais – e uma série de empresas que anunciaram fábricas no Brasil – Jac, Chery, Great Wall, Nissan e BMW até o momento.

A solução, diz a Hyundai, é vender carros com mais opcionais, design e tecnologia pelo mesmo preço e continuar melhorando seus carros com a abertura de um centro de pesquisas aqui, antecipou Seong Bae-Kim , presidente da Hyundai Brasil, em entrevista a Época NEGÓCIOS.

Promessas e percalços na balança, a aposta da Hyundai aqui não é baixa. Prova disso é que a empresa desenvolveu três carros que serão vendidos exclusivamente no Brasil, o chamado projeto HB, criado para estradas ruins e tráfego pesado. Os modelos - um hatch, um sedã e uma SUV - miram os compradores do Pálio (Fiat) e do Gol (Volks). A promessa é entregar mais por menos ou, no mínimo, pelo mesmo preço. Trava e vidros elétricos, por exemplo, são itens de série e não opcionais. Ajuda também o fato de a Hyundai ter virado sinônimo de qualidade por um preço acessível com o Tucson, modelo montado no Brasil por meio da parceria com a Caoa.

E engana-se quem pensa que a montadora se contentará com uma pequena fatia do bolo. “Nosso objetivo é estar entre as quatro empresas líderes do setor no mercado nacional em curto prazo”, diz Bae-Kim. Traduzindo, os coreanos pretendem ultrapassar a Ford. Como?
Com uma conta de padaria. Em 2011, segundo a Anfavea, a Caoa vendeu 112 mil carros Hyundai. A Ford, 314 mil. A Hyundai pretende vender toda a produção de 150 mil em um ano. Caso o desempenho da Caoa e da Ford se mantenham, com poucas alterações, somados os 150 mil aos 112 mil, a Hyundai alcança a marca de 262 mil vendidos no Brasil. Assim, os coreanos e os norte-americanos vão protagonizar uma boa briga pela quarta posição.

Os planos para o país não param por aí. “Poderemos considerar o Brasil para o nosso próximo escritório de design regional, semelhante ao que temos nos Estados Unidos e na Alemanha”, antecipa Bae-Kim. Faz sentido, em um mercado tão peculiar quanto o brasileiro, com combustíveis alternativos e motores flex. O centro de pesquisas e desenvolvimento apoiaria ainda a estratégia internacional da Hyundai que, frente a uma crise mundial, não se preocupa em aumentar sua produção (hoje em 7 milhões de veículos), mas sim em melhorar seus carros para estar melhor posicionada quando os mercados voltarem a ficar aquecidos.

Na entrevista abaixo, Seong Bae-Kim, o executivo que lidera a empreitada coreana no Brasil, conta detalhes do próximo capítulo desta história.

Com a vinda da montadora para o país, qual será a estratégia da marca para o mercado nacional?
Vamos trazer para o segmento B, que são os carros entre R$ 30 mil a R $ 40 mil, o mesmo nível de qualidade e design dos carros importados da Hyundai. Sabemos que os brasileiros dão um alto valor para esses quesitos e isso poderá nos diferenciar, positivamente, em relação a muitos outros concorrentes, inclusive aqueles estabelecidos no país há muitos anos.

Recentemente, a Hyundai anunciou três modelos de veículos flex desenhados especialmente para o Brasil, o projeto HB. Existe algum plano de exportá-los depois para outras regiões como América Latina?
Para os primeiros anos, todos os três modelos do Projeto HB serão dedicados ao mercado brasileiro. É por isso que este projeto foi desenvolvido para as características do mercado local, o que significam estradas difíceis e tráfego pesado. Os veículos incorporam, também, um pacote considerável de recursos, como travas e vidros elétricos nas versões básicas. Somente após o desenvolvimento e o sucesso do Projeto HB no Brasil, vamos considerar sua exportação para outras regiões.

A empresa acaba de receber a liberação de um crédito de R$ 307 milhões pelo BNDES. Segundo comunicado, a verba será usada nos modelos para o mercado brasileiro. Como exatamente esta verba será usada?
O dinheiro do BNDES será usado para concluir os estágios finais da construção da fábrica, em Piracicaba e, principalmente, para comprar os últimos equipamentos para a produção dos carros e para o escritório.

Há estimativas de unidades vendidas?
A capacidade de produção da planta de Piracicaba é de 150 mil unidades por ano e pretendemos vender todos esses veículos no Brasil em 12 meses. Vamos começar com o modelo hatch, em novembro de 2012, e introduzir o sedã no primeiro semestre de 2013 e, o SUV, no segundo. A proporção de produção de cada modelo será definida de acordo com a reação do mercado. Não há planos para aumentar a capacidade de produção neste momento.

Leia na integra em:
http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2012/03/mais-por-menos-e-assim-que-hyundai-planeja-desbancar-fiat-e-volks-no-brasil.html


Um comentário:

  1. Não só a coreana Hyundai, mas também as marcas chinesas entraram para movimentar o mercado, com preços competitivos e qualidade eles tem tudo para mexer com o rank dos fabricantes.
    Hot Master - Vidros Elétricos

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